Notas de uma mente inquieta

Preguiça de postar

No começo do ano passado, eu iniciei este projeto que aqui você acompanha. Um diário das coisas no qual ando refletindo, seja os devaneios de chuveiro ou um breve relato do que consumi.

Gosto de emitir opiniões dos conteúdos que ando consumindo. O que ando lendo; o que ando assistindo; qual jogo eu joguei esse final de semana e o que eu achei dele; as relações malucas que faço entre um documentário e um álbum de rap... Não apenas para poder conversar com as pessoas sobre isso, mas afim de registrar e, no futuro, entender melhor o Eu do passado. postagem original

Comecei ávido, foram 20 postagens só em janeiro. Estava realmente empolgado em registrar absolutamente tudo. Rotina de treinos, livros, quadrinhos, jogos, crítica-social-foda... Nada que passasse pelo meu cérebro podia estar de fora deste backup. Até mesmo os artigos avulsos de uma revista mensal, eu pontuei que teria benefícios de falar sobre.

Eu chegava do cinema já ia direto para o pc para fazer o download dos pensamentos aqui para caixinha de texto. Se eu estava assistindo uma série que levaria semanas para concluir, todo fim de episódio eu tomava notas no tablet para reler no final e escrever algo mais embasado.

Mas vô ti dizer... isso cansa. O que era para ser algo despretensioso virou um projeto paralelo que estava consumindo tempo precioso de vida. Várias vezes peguei-me forçando a terminar o conteúdo apenas para ter o que postar. Olha lá eu transformando um hobby em uma obsessão novamente yaaay (tenho todo um histórico sobre isso, quem sabe um dia falo dele aqui).

Até que do meio do ano pra frente, meu cérebro ativou o efeito mola, e passei a reassistir vários daqueles conteúdos que acho confortáveis demais para precisar falar sobre: How I Met Your Mother, Brooklyn 99, Rick and Morty, etc. Até mesmo puxei com o Arthur um momento onde apresento para ele filmes clássicos: O todo poderoso, De volta para o futuro, Escola de Rock, Exterminador do Futuro, Lisbela e o prisioneiro... Assim como na postagem sobre GTA5, eu teria dezenas de coisas para falar sobre este capítulo a parte, como ele recebeu estes frutos de outro tempo e em como eu re-descobri várias novas nuances neste processo. Mas não postei, não quis transformar algo leve e descompromissado em mais algumas horas no "trabalho" de pensar. Poisé, por muito tempo eu achava que o cansativo era escrever mas entre assistir e apertar as teclinhas tem uma tarefa extenuante que é organizar as ideias.


“Escrevo porque só sei o que penso depois de ler o que escrevi. Flannery O’Connor”

Catei esta frase do blog do Cris Dias. Um ano depois da minha sugestão, ele trouxe belíssimos argumentos para se criar um blog que teriam me convencido anos antes. Recomendo a leitura.


Neste mesmo sentimento, teve várias coisas novas que assiti/li que não senti a mínima vontade de gastar energia alguma aqui. O que eu teria para falar da última temporada de Wandinha? Não sei, mas sinto que quando sair a próxima eu gostaria que o eu do passado tivesse me dado pistas. Ou mesmo para fins métricos, é legal saber quantos livros eu li e o Blog tem sido uma excelente ferramenta para esta documentação. Parece que o caminho ideal, para estes casos, seria não falar nada. E essa é uma filosofia que gosto muito de seguir: não tem nada para acrescentar, o silêncio é uma ótima opção.

views-2025 Visualizações do blog em 2025

Outro motivo para criar este blog foi diminuir o uso de redes sociais. O que não sei se funcionou como eu gostaria... Consegui ficar sem o app do instagram no celular por boa parte do ano mas acho que me perdi pela rolagem de stories todas as semanas. Meu objetivo era acompanhar família e amigos mas eventualmente me perdia naquele canto da sereia que me arrastava para vídeos aleatórios de pedreiros que fizeram um quarto sem porta.
No livro Deuses Americanos o Gaiman antropomorfizou deuses modernos, se ele escrevesse este livro nos dias de hoje, com absoluta certeza, teríamos o deus Algoritmo. Sabe esta imagem com as visualizações destas postagens que aqui faço? Estes 3 picos aconteceram justamente em momentos que resolvi compartilhar algo daqui no Instagram. Não me entenda errado, eu não escrevo aqui para alavancar estas barrinhas, só fiquei curioso em como precisamos que o conteúdo seja entregue. Eu imaginando a internet como um buffet self service mas estamos mais para dark kitchens no ifood.

— Você não fica triste em saber que essa visão sobre blogs não existe mais?
— Não sei. Ainda fico mais triste com a fadiga de quem vive nas plataformas. Com nosso tempo sendo consumido por algum esquema ao invés da conversa. Gosto de pensar na utopia na qual, lá na frente, alguém vai perceber que está trocando algum indicador sem sentido pela chance de pensar. É muita ingenuidade? O último blogueiro

Talvez ter escolhido o bearblog como ferramenta tenha tido esse impacto. Esse ano iniciei o desenvolvimento de uma ferramenta própria para gestão do blog(olha eu trabalhando no hobby de novo), algo ainda simples mas com uma variedade maior de customização de interface e postagens, tipo, ainda me pego usando outras redes sociais para registrar vídeos simples da rotina. Por outro lado, tive excelentes interações com leitores que chegaram da aba de discovery. Venho lendo bastante coisa no substack também, só que algo lá não me atrai, não sei ao certo, parece algo desenhado e pensado exclusivamente para esticar aquelas linhas de visualizações e não é isto que eu desejo. Porém, gosto bastante da possibilidade de compartilhamento de conteúdo, em iterar entre gostos, sinto falta disto por aqui.

Enfim, este ano pretendo fazer diferente. Quero usar menos ainda redes sociais e escrever mais por aqui, no entanto não vou me obrigar novamente a elaborar sobre tudo. Aqui e acolá aparecerão postagens com um grande "é isso aí, mais uma obra de super-heróis com violência exacerbada, que inovador", também vou tentar desapegar mais destes ensaios, devo ter três ou quatro como rascunho que estou tentando concatenar as ideias de maneira inteligível. Precisa?

#desabafos #ensaios