Frankstein

Saí com sentimentos confusos dessa obra. Acho que preciso falar inicialmente dos aspectos técnicos: achei muito bem produzido. Os cenários, os figurinos, cada detalhe na ambientação ali desenhada foi pensado com muita atenção e carinho.
Achei o início muito bem executado, a primeira parte que foca no Doutor (Viktor) tem personalidade. Você consegue captar claramente a motivação dele, de onde vem o seu desejo por fazer as coisas diferentes. A alegoria do filho proteger a mãe e querer ser superior o pai, por mais conveniente que seja, está bem estruturada. Os conflitos apresentados na introdução, a lei, a guerra, o amor, tudo isso enriquece o enredo. Tudo caricato demais? Não sei. Talvez histriônico. Teatral, quem sabe. Não me incomodou. Achei que o tom ficou adequado a obra.
Acho que tudo começou a desandar depois da apresentação do conflito romântico. Temos uma escalada de tensão nas relações, a história leva a isto, mas em tela fico tudo insípido. As mortes são eventos corriqueiros que em nada impactam os personagens. As paixões não esquentam, os medos não esfriam, mantém-se em uma monotonia sem fim até o filme acabar. Tudo ocorre por que sim. A mesma sutileza que foi pensada no visual do Monstro não está presente na narração de sua história. Frankstein de del Toro é esteticamente bonito mas completamente sem vida, não é irônico?
Sempre ouvi falar em como o livro é relevante para sociedade até os dias de hoje justamente por trazer reflexões sobre humanidade, paternidade, dilemas éticos entre ciência e sociedade. Em tempos de Inteligência artificial imaginei que poderíamos ter uma renovação destas discussões a partir deste clássico.