Notas de uma mente inquieta

All her fault

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Mais um ponto para as minisséries. Assim como pontuei na postagem de Adolescência, gostei muito desta série por conseguir explorar tópicos complexos em uma trama bem distribuída em poucos episódios.

Esta série narra a investigação do desaparecimento de uma criança de 5 anos e os conflitos gerados na família no desdobrar deste caso. Assim como o título da obra explicita, a primeira vista, é dado bastante ênfase no papel da mãe neste desaparecimento. Porém, através de nuances na história, discute-se como a sociedade de maneira subjetiva impõe responsabilidades demasiadas nas mulheres. Acho que o foco aqui está nas palavras nuances e subjetiva pois os diálogos, muito bem construídos, sempre tentam apontar na direção oposta. Frases como "você é um ser humano melhor", "não conseguiria sem você", "Eu admiro como você consegue dar conta de tudo sozinha.", podem, aparentemente, ter conotações positivas mas claramente escancaram um relacionamento onde o peso é desproporcionalmente distribuído nos papéis de gênero.

O caminhar da série é um pouco repetitivo, de propósito pelo que entendi, para prender o espectador no próximo episódio. Vou discorrer sobre isso melhor na área com spoilers, mas apesar de incômodo não chega a ser insuportável. Você sabe que as diretoras estão ti manipulado e você cai na brincadeira. Este fato é bem relevante, a série ser conduzida por duas mulheres traz a sagacidade de só quem viveu certas microagreções no dia-a-dia consegue ter a sutileza de expô-las. Também precisa-se destacar as atuações desta produção. Excelentes. Com destaque para a intérprete da mãe e da Carrie Finch.

Homens e mulheres irão receber esta obra de maneira diferente. Enquanto na visão do papel masculino tentei absorver as mensagens passadas. Assim como em Adolescência, acho que a mensagem da obra perdura para além do que você assiste.

🚨 Área com spoilers 🚨

Sobre os cliffhangers, com o tempo fica óbvio que é estilo passe do Ronaldinho - Olha para um lado e toca para o outro. No terceiro episódio você já saca que tudo que é forçado no final do episódio não ti indica a solução do crime, pelo contrário, aponta para o lado oposto. No sentido de ficar até meio previsível do meio para o fim.

Não gostei muito do final. Acho que vai no sentido contrário do que a série prega no seu desenrolar. Todos os subtextos apontam em como a culpa recai sempre para as mulheres, neste caso em específico, tudo começa com um crime sendo de responsabilidade da mãe.
E, no fim, a mãe termina como uma criminosa.
Eu até gosto da ideia do Peter ter sido assassinado, mas eu acho que poderia ter sido um final inconclusivo. Naquele velório tinha pessoas demais interessadas que ele morresse, se não entregasse o QUEM teria sido muito mais interessante e deixaria até a reflexão no final para quem desconfiasse da mãe. Tipo, você não aprendeu nada com a série? Mesmo depois disso tudo você continua colocando TODA A CULPA NELA.

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